(In)VISÍVEIS

Em toda e qualquer sociedade, o corpo sempre esteve preso no interior de poderes que lhe impõem limitações e proibições. Essa condição pode ser detectada em vários momentos da história da humanidade, mas, na modernidade e contemporaneidade, avolumaram se os aparatos de esquadrinhamento do corpo por intermédio de uma maquinaria de poderes que tem por objetivo desarticulá-lo e recompô-lo a partir de normas estabelecidas A partir dessa maquinaria, constrói-se uma compreensão binária da corporeidade humana: de um lado, os normais, os sadios, os belos, do outro, os anormais, os doentes, os feios. Esse binarismo edifica uma estrutura hierárquica de dominação cultural e ideológica de um grupo dominante sobre os demais.
Nessa série, busco desocultar os corpos nus das pessoas com deficiência que são relegados aos porões da invisibilidade. Esse movimento é fruto de afetos, pois sinto, cotidianamente, o que é não possuir uma materialidade, um corpo que seja percebido e tencionado enquanto tal, pois, enquanto paraplégico, sei o que é ser visto como monstro, defeituoso, doente ou feio.